Política de Privacidade
Última atualização: 13 de outubro de 2026
Esta política descreve como o Liquidajá trata dados pessoais, com atenção particular ao ponto que distingue esta plataforma de um software comum: o material que o usuário envia são autos de processo, cheios de dados de pessoas que não são nossos clientes.
Em uma frase: os autos são do escritório, tratamos esse conteúdo por conta e ordem dele, e não treinamos modelo nenhum com o que é enviado.
1. Quem somos e a quem esta política se aplica
O Liquidajá é uma plataforma de cálculo judicial operada por GIRGUS LABS TECNOLOGIA LTDA, inscrita no CNPJ sob o nº 68.302.018/0001-81.
Esta política explica como tratamos dados pessoais em duas situações que a LGPD (Lei nº 13.709/2018) trata de forma diferente, e que por isso são separadas ao longo do texto:
- os dados do usuário da plataforma — o advogado ou escritório que contrata o serviço, cria conta e paga por ela;
- os dados de terceiros contidos nos autos — reclamante, testemunhas, prepostos e demais pessoas citadas nos documentos que o usuário envia, que não contrataram nada conosco e provavelmente nunca ouviram falar de nós.
A segunda situação é a mais sensível e a que mais condiciona o resto desta política.
2. Papéis: quem é controlador e quem é operador
Quanto ao conteúdo dos autos enviados à plataforma, o advogado ou escritório usuário é o controlador (art. 5º, VI, da LGPD) e a GIRGUS LABS TECNOLOGIA LTDA é a operadora (art. 5º, VII), tratando os dados por conta e ordem daquele controlador. Disso decorre, concretamente:
- não decidimos a finalidade do tratamento: o cálculo é feito porque e como o usuário pediu, no processo que ele indicou;
- não usamos o conteúdo dos autos para nenhuma finalidade própria estranha à prestação do serviço — não o comercializamos, não o cedemos e não o utilizamos para publicidade;
- o titular que quiser exercer seus direitos sobre o conteúdo dos autos deve procurar o controlador, isto é, o escritório responsável pelo processo; se nos procurar diretamente, encaminharemos a solicitação e prestaremos o apoio necessário para que o controlador a atenda no prazo legal.
Quanto aos dados cadastrais e de cobrança do próprio usuário — a conta, o e-mail, o saldo, os registros de uso —, a GIRGUS LABS TECNOLOGIA LTDA atua como controladora, porque é ela quem decide tratá-los para poder operar e cobrar pelo serviço.
3. Dados pessoais que tratamos
- Dados de conta: endereço de e-mail e credenciais de acesso, geridos pelo serviço de autenticação do Supabase. A senha não é armazenada nem legível por nós em texto claro.
- Conteúdo submetido: peças processuais, sentenças, acórdãos, planilhas, cartões de ponto, holerites, imagens e demais documentos que o usuário anexa, além das instruções livres que ele escreve ao criar o cálculo.
- Dados extraídos do conteúdo: a estruturação automática dos documentos — partes, datas de admissão e dispensa, remuneração, verbas deferidas, índices aplicáveis — e o resultado do cálculo, com sua memória item a item.
- Dados de uso, cobrança e auditoria: processos criados, custo de processamento apurado, saldo em reais, movimentos de consumo de saldo e registros técnicos de execução.
4. Os dados de terceiros contidos nos autos
Autos de processo trabalhista contêm dados pessoais de quem não é nosso usuário: nome, CPF, endereço, número do PIS, remuneração, histórico de vínculo, e frequentemente dados pessoais sensíveis na acepção do art. 5º, II, da LGPD — atestados e laudos médicos, informação sobre acidente de trabalho ou doença ocupacional, filiação sindical.
Tratamos esse material apenas na medida necessária para produzir o cálculo pedido. Sobre o isolamento desse conteúdo, é preciso separar duas coisas que costumam ser apresentadas juntas:
- Os documentos e o texto integral extraído deles ficam na conta de quem os enviou. Não são exibidos a outro usuário, não são transportados para o processo de outro usuário e não são publicados em hipótese alguma.
- As notas de modelagem derivadas do caso ficam igualmente restritas. A plataforma consulta, ao processar um caso, padrões de modelagem de dois conjuntos: o acervo próprio do Liquidajá e os casos do próprio usuário. Uma nota derivada do caso de um usuário não é consultada no processamento do caso de outro. Essas notas passam por filtragem automática que remove identificadores e valores, mas essa filtragem não garante a remoção de nomes de pessoas — e é por isso que o único conjunto comum a todos é o nosso. A seção Padrões de casos anteriores descreve o que é guardado, o que a filtragem remove e o que pode sobreviver a ela.
Ao enviar documentos, o usuário declara ter legitimidade para fazê-lo — tipicamente na condição de advogado constituído nos autos — e assume, como controlador, a responsabilidade pela licitude daquele tratamento e pelo dever de informação perante os titulares.
5. Finalidades e bases legais
- Dados do usuário (conta, uso, cobrança): execução de contrato (art. 7º, V), somada ao cumprimento de obrigação legal ou regulatória (art. 7º, II) para os registros fiscais e contábeis da prestação.
- Dados pessoais comuns contidos nos autos: o tratamento é feito por conta do controlador, no exercício regular de direitos em processo judicial (art. 7º, VI), e ampara-se também na execução do contrato firmado com o escritório.
- Dados pessoais sensíveis contidos nos autos: art. 11, II, d, da LGPD — exercício regular de direitos, inclusive em contrato e em processo judicial, administrativo e arbitral. É a hipótese que, sem depender de consentimento do titular, permite que a prova produzida no processo seja usada para liquidar aquilo que o próprio processo discute.
Não tratamos dados pessoais para finalidade incompatível com a que motivou a coleta, e não fazemos tratamento com base em consentimento do titular dos autos — o que seria, na prática, inexequível e é justamente por isso que a lei prevê a hipótese acima.
6. Uso do conteúdo para treinamento de modelos
Nós não treinamos modelos com o conteúdo enviado à plataforma. Não mantemos modelo próprio, não há pipeline de treinamento no sistema e nenhum documento, texto extraído ou cálculo é exportado para conjunto de treino. O conteúdo é usado para produzir o cálculo contratado, e nada além disso.
Quanto ao provedor do modelo de linguagem, o conteúdo lhe é transmitido apenas como entrada da requisição que produz aquela extração, e a resposta é gravada na conta do usuário — não há, da nossa parte, qualquer envio de material para finalidade de treinamento. O que o provedor faz com o que recebe é regido pelo contrato firmado com ele; enquanto não confirmarmos formalmente esse instrumento, não afirmamos aqui, em nome dele, que o conteúdo não é utilizado para treinar seus modelos.
7. Padrões de casos anteriores
Para reconhecer o arquétipo jurídico de um caso novo — que tipo de pedido é aquele, que regime de correção costuma acompanhá-lo —, a plataforma mantém um acervo interno de padrões de modelagem derivados de cálculos já realizados, e consulta esse acervo ao processar um caso novo. Como esse mecanismo toca dados de clientes, descrevemos exatamente o que ele faz:
- o que é guardado: um resumo estruturado por processo — área, natureza do pedido, tese central, notas de modelagem, regime de correção e juros, tribunal de origem;
- o que a filtragem remove: antes de um trecho ser reaproveitado, uma rotina automática retira dele números de processo, CPF, CNPJ, valores monetários e datas;
- de onde vêm os padrões consultados: de dois conjuntos, e apenas deles. O primeiro é o acervo próprio do Liquidajá, formado por cálculos realizados pelo nosso escritório, e é comum a todos os usuários — é ele que permite reconhecer um arquétipo logo no primeiro caso de um usuário novo. O segundo são os casos do próprio usuário. O caso de um usuário não é consultado no processamento do caso de outro;
- o que a filtragem não remove: ela reconhece identificadores e valores por padrão de formato, e não reconhece nomes de pessoas. Um nome escrito dentro de uma nota de modelagem sobrevive à filtragem. É por isso que a separação descrita acima importa: o material que circula entre usuários é o do nosso próprio acervo, e não o processo de um cliente;
- o que nunca é reaproveitado: documentos, textos integrais e resultados de cálculo de um caso não são exibidos nem transportados para outro. O acervo devolve orientação de modelagem, não fatos, e a instrução que acompanha esses padrões proíbe expressamente que qualquer dado deles seja copiado para a extração em curso — toda informação que entra no cálculo vem dos documentos daquele processo;
- alcance: a consulta é feita pelo servidor, durante o processamento, e seu resultado não é exibido a ninguém. Nenhum usuário tem acesso de leitura aos registros de outro, nem pela interface nem por essa via;
- eliminação: o registro de um processo no acervo é apagado automaticamente junto com o processo, conforme a seção Retenção e eliminação.
Melhoria do serviço com dados anonimizados. Para medir e corrigir erros da própria plataforma, podemos comparar o que a leitura automática extraiu de um processo com a versão corrigida depois (pelo usuário ou pela nossa revisão). Para isso guardamos apenas a extração estruturada (campos, datas, verbas e valores) e essa comparação, depois de retirados nomes, CPF, CNPJ, número do processo e demais identificadores. Os documentos e o texto dos autos não entram nesse uso, e o material não é usado para treinar modelos nem é compartilhado com terceiros. Dado anonimizado, que não permite identificar o titular por meios razoáveis, não é dado pessoal (art. 12 da LGPD).
8. Operadores e compartilhamento
Não vendemos, alugamos nem cedemos dados pessoais. Recorremos apenas aos prestadores necessários para operar o serviço, todos vinculados às finalidades desta política:
- Supabase — banco de dados, autenticação e armazenamento dos documentos e dos resultados.
- Vercel — hospedagem e execução da aplicação.
- Anthropic — provedor do modelo de linguagem usado na leitura e na estruturação automática das peças. É o único provedor de modelo utilizado pela plataforma.
Também poderemos compartilhar dados quando houver ordem judicial, requisição de autoridade competente ou necessidade de exercer direitos em processo — hipóteses em que informaremos o usuário sempre que a lei permitir.
9. Transferência internacional de dados
A aplicação é executada em infraestrutura localizada no Brasil (região de São Paulo). Há, contudo, transferência internacional no processamento automatizado das peças: o conteúdo enviado é transmitido ao provedor do modelo de linguagem, cuja infraestrutura fica no exterior.
A transferência ocorre para viabilizar a execução do contrato firmado com o usuário e se limita ao necessário para produzir o cálculo: o conteúdo segue como entrada da requisição de processamento e não é transferido para nenhuma outra finalidade nem a nenhum outro destinatário no exterior.
O Capítulo V da LGPD exige, para essa transferência, uma garantia específica — cláusulas-padrão contratuais, cláusulas específicas ou outra das hipóteses do art. 33. Publicaremos aqui qual delas ampara cada prestador assim que a documentação estiver formalmente verificada; até lá, esta política não afirma qual instrumento está firmado.
10. Retenção e eliminação
Processos, texto extraído, cálculos e entregáveis permanecem disponíveis enquanto o processo estiver em uso. Um processo que fique 24 meses sem atividade é eliminado por inatividade. Contam como atividade abrir o processo no Liquidajá, editar seus dados, calcular e baixar entregáveis.
Antes da eliminação por inatividade, avisamos por e-mail o titular da conta, com a lista dos processos e a data prevista. A eliminação só ocorre se o processo continuar sem atividade por pelo menos 30 dias depois desse aviso; basta abrir o processo para mantê-lo por um novo período. Sem aviso enviado com sucesso, o processo não é eliminado por inatividade. A eliminação alcança os autos, os dados extraídos, os cálculos, os pareceres e os demais entregáveis, na mesma operação descrita abaixo para a exclusão a pedido. O usuário também pode excluir um processo a qualquer momento.
O titular pode solicitar o encerramento integral no painel da conta ou por contato@liquidaja.com.br. No painel, a senha atual e uma frase de confirmação protegem contra exclusão acidental. Confirmamos o pedido imediatamente e abrimos uma janela de arrependimento de 7 dias. Durante ela, novos serviços ficam bloqueados, mas o titular pode cancelar o encerramento e baixar dados e entregáveis existentes. O aviso ativo de conclusão por e-mail ainda depende da integração de um provedor transacional; o status fica disponível no painel enquanto a conta existir.
Depois dos 7 dias, eliminamos a conta, processos, extrações, cálculos, pareceres e demais entregáveis. Cobrança pendente precisa ser concluída ou cancelada antes da exclusão definitiva. Administradores só executam a rotina a partir de solicitação autenticada, obrigação legal ou incidente documentado.
Ao excluir um processo, a eliminação alcança, na mesma operação: os arquivos originais armazenados, os arquivos de resultado, os registros do processo no banco de dados e o respectivo registro no acervo de padrões descrito acima. A exclusão é definitiva e não há recuperação pelo usuário. Se algum passo falhar — por exemplo, porque um cálculo estava em execução naquele instante —, o processo fica reservado para exclusão e uma rotina diária a repete até concluí-la.
Sobrevivem à exclusão apenas os registros financeiros e contábeis da prestação (recargas, consumos de saldo, valores cobrados) e os registros mínimos de segurança, conservados para o cumprimento de obrigação legal e para o exercício regular de direitos. Esses registros não contêm o conteúdo dos autos nem os dados dos terceiros neles citados.
Registros mínimos de segurança e prevenção a fraude são mantidos somente quando necessários, com finalidade e prazo justificados; ao fim, são eliminados ou anonimizados. Cópias residuais podem permanecer em backups até a rotação normal do provedor, sem retorno ao uso operacional.
Depois que a extração é concluída e o usuário valida expressamente os dados — ou confirma o enfileiramento de um caso coletivo —, o arquivo bruto é eliminado automaticamente. Permanecem os metadados, o texto extraído, os dados estruturados e a trilha da operação. Documento novo anexado depois segue o mesmo ciclo próprio de extração e validação.
11. Segurança
Adotamos medidas técnicas e administrativas compatíveis com a sensibilidade do material tratado. As principais, hoje em vigor:
- isolamento por conta: as tabelas do banco aplicam políticas de acesso por linha (Row Level Security), de modo que cada usuário só alcança os próprios registros, e os arquivos ficam em caminhos vinculados ao identificador do usuário e do processo, validados a cada operação;
- criptografia em trânsito: todo o tráfego é servido sob HTTPS, com HSTS, política de segurança de conteúdo e bloqueio de enquadramento em outros sites;
- criptografia em repouso: banco de dados e armazenamento de arquivos são cifrados pela infraestrutura do provedor;
- acesso administrativo restrito: as rotinas administrativas e automatizadas exigem credencial própria, distinta das credenciais de usuário.
Nenhuma medida elimina integralmente o risco. Havendo incidente de segurança com risco relevante aos titulares, comunicaremos a Autoridade Nacional de Proteção de Dados e os controladores afetados, nos termos do art. 48 da LGPD.
13. Direitos do titular
O art. 18 da LGPD assegura ao titular, entre outros, o direito de obter:
- confirmação da existência de tratamento e acesso aos dados;
- correção de dados incompletos, inexatos ou desatualizados;
- anonimização, bloqueio ou eliminação de dados desnecessários, excessivos ou tratados em desconformidade com a lei;
- portabilidade a outro fornecedor, observados os segredos comercial e industrial;
- eliminação dos dados tratados com base no consentimento, nas hipóteses legais;
- informação sobre as entidades com as quais compartilhamos dados;
- revisão de decisões automatizadas que afetem seus interesses.
Para exercê-los, escreva para contato@liquidaja.com.br. Responderemos no menor prazo possível e, no máximo, nos prazos do art. 19 da LGPD.
Uma ressalva importante quanto aos autos: em relação ao conteúdo processual somos operadores, e não podemos alterar ou eliminar por conta própria dado que pertence ao processo de um escritório. Pedido dessa natureza é encaminhado ao controlador responsável, a quem cabe decidir, e prestamos a ele o apoio técnico necessário. Também nos manifestaremos ao titular informando o encaminhamento.
14. Automação e revisão humana
A leitura das peças e a apuração do cálculo são automatizadas. O resultado, porém, não é decisão sobre pessoa alguma: é peça técnica submetida à conferência do advogado responsável, que a revisa, corrige e decide se a utiliza. O usuário revisa e ajusta a extração antes de o cálculo ser executado, e a memória de cálculo é entregue item a item justamente para permitir a auditoria do resultado.
15. Alterações desta política
Esta política pode ser atualizada para refletir mudanças no serviço, na legislação ou nos prestadores utilizados. A data da última revisão fica indicada no topo da página. Alterações relevantes — sobretudo as que ampliem finalidades ou incluam novo operador — serão comunicadas aos usuários pelos canais de contato cadastrados antes de produzirem efeito.
16. Canal de privacidade e contato
Dúvidas, solicitações e reclamações sobre proteção de dados devem ser dirigidas ao nosso canal de privacidade, que é o endereço contato@liquidaja.com.br, hoje o mesmo endereço usado para suporte e assuntos comerciais. Indicar no assunto que a mensagem trata de privacidade acelera o encaminhamento interno, mas não é condição para que o pedido seja recebido nem para que os prazos legais corram.
É por esse canal que se exercem os direitos descritos acima. A designação formal do encarregado pelo tratamento de dados pessoais (art. 41 da LGPD) está em curso; quando concluída, a identidade dele será publicada nesta seção.
O titular pode ainda peticionar à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), nos termos do art. 18, § 1º, da LGPD.